sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Uma astrologia para a atualidade

Publicado em: 5 de outubro de 2011
A astrologia é um saber e um conhecimento com uma tradição milenar. Sua origem e estrutura são desconhecidas mas, há cerca de quatro mil anos, os registros de mapas e estrelas são reconhecidos. Esta tradição estabeleceu uma ordem quando o céu era observado sistematicamente. A princípio por necessidade de marcar a passagem do tempo, o que é importante para o plantio e colheita, a marcação das estações do ano, a observação de fenômenos como os eclipses solares e lunares, a navegação e a migração dos povos era orientada pelas estrelas e constelações que são fixas, ou seja, que não apresentam movimento aparente.
Esta tradição fez com que os primeiros observadores do céu percebessem, sobretudo, que o movimento rápido do sol e da lua não era aleatório, que obedecia um padrão. Este padrão foi identificado nestes antigos registros, alguns em pedra. Nesta época, astrologia e astronomia eram a mesma coisa. E nasceram, então, pela necessidade do ser humano e dos povos se orientarem no tempo e no espaço. Tanto que, para o levantamento de um mapa natal são duas as informações necessárias: onde (lugar de nascimento) e quando (dia e hora do nascimento).
Gradualmente, algumas estrelas foram observadas mais atentamente e, então, Marte, Vênus, Mercúrio, Júpiter e Saturno são registrados também. Estas estrelas também apresentam um padrão de apresentação. E são consideradas planetas, ou seja, estrelas peregrinas. É sabido que o sol é uma estrela e a lua é um satélite. Para a astrologia são planetas. Atualmente, Netuno, Urano e Plutão são considerados dentro do mapa. O sol tem um ciclo rápido, seguido da lua e, assim, cada planeta. Ao observar o céu aqui da terra, o sol percorre um arco, se movimenta neste arco. A lua se movimenta mais lentamente mas é rápida também, vinte e oito dias completando seu ciclo de quatro fases.
Quem não sente admiração ao olhar para o firmamento de um céu estrelado em uma noite límpida com lua cheia? Eu admiro e surgem imagens e perguntas, de onde viemos?, para onde vamos? e além do que vejo o que existe?
Esta admiração desloca o observador e admirador do céu para uma posição transcendental. O universo se manifesta assim também: o universo nos olha. Esta dimensão transcendental é espiritual, pois recoloca o ser humano em sua condição de ser consciente e afetuoso.
Uma astrologia para a atualidade, em uma contemporaneidade sombria, onde existe fome, miséria, terrorismo, sofrimento, quando os sentimentos, o sexo e o amor são banalizados em um planeta globalizado pela internet ia astrologia ilumina este cenário, estamos em crise. Mas isso é uma oportunidade: vive-se uma época inédita. O tema principal que a crise oportuniza é o da possibilidade de reinventar este mundo através de um processo civilizatório sensível à condição humana.
Nossa condição é determinada por fatores como a a genética, o aprendizado, o ambiente natural e cultural e o livre arbítrio. Em função desta condição, a astrologia cumpre e deve cumprir um papel civilizatório ao reconhecer estes fatores influenciando cada pessoa e cada povo. Uma aldeia global. Nesta aldeia é possível viver como nunca se viveu.
A astrologia me parece que sustenta esta condição humana ao prescrutar o destino e ao exaltar o livre arbítrio, ao manter a tradição e ao mesmo tempo subvertendo tradições. Pois considero que o ser humano é um mistério e que apenas ações amorosas e conscientes de um crescente número de pessoas pode sim recriar uma aldeia global boa para se viver.
A cada pessoa cabe o autoconhecimento e a astrologia, assim como a coloco neste texto, tem esta característica de ser um instrumento para a vida e para a paz ao sustentar o mistério. Um mistério é para ser vivido, não decifrado. A vida é para ser vivida e é dela própria a razão. Em sua interface com as outras disciplinas a astrologia se enriquece e se emancipa de estereótipos tais como “o destino está escrito nas estrelas”, “previsão do futuro” e tantos outros. Entre a verdadeira astrologia e os estereótipos há abismal diferença. Cumpre a cada um e aos astrólogos, escritores, cientistas, artistas, enfim, a cada um de nós, a você que lê este texto...trabalhar cotidianamente para a construção de um mundo melhor. E a boa nova é que a possibilidade é agora.
O Rock in Rio me mostrou, mais uma vez, o poder da arte. A arte transforma o mundo e o mundo são as pessoas. Cada pessoa. Cada pessoa deve ser ela mesma. José Saramago dizia que todos somos escritores mas que apenas algumas pessoas escrevem e publicam. Cada pessoa é um artista. A arte de viver! Vale a pena esta construção de uma existência alegre e amorosa.
Walter Doege
Biografia:
Médico psiquiatra, psicanalista e astrólogo

sábado, 1 de outubro de 2011

Astrologia

A Astrologia é uma linguagem simbólica e milenar. Decifrar esta linguagem traz de volta a capacidade de se surpreender, diante das descobertas que ela proporciona. Por isso ela é antiga e nova ao mesmo tempo. Por mais que se busquem provas pelo método científico ela não convence, mas quanto mais se lida e se investiga esta Grande Senhora da Babilônia ela encanta, cativa, prende e ensina muito sobre nós e nossa relação com o Universo. Vale a pena conhecê-la.

A história toda gira, literalmente, em um espaço fixo do céu. Temos que nos posicionar de forma geocêntrica. Isto é, nós estamos parados aqui na Terra, enquanto vemos o Sol e toda sua corte, planetas, satélites e asteróides, percorrerem um caminho aparente que os antigos chamaram de “Caminho de Anu” e os Astrólogos e Astrônomos chamam de Eclíptica.

Com o passar das horas das horas, os astros se movem no céu, nascendo a leste e se pondo a oeste. Isso causa a impressão de que a esfera celeste está girando de leste para oeste.

Este caminho aparente é uma faixa do céu que mede mais ou menos 18° de largura e tem a extensão de 360°. Ele se inicia no mês de março, entre o dia 19 e 20, quando o Sol chega no ponto Vernal que, em Astrologia se diz 0° de Áries. O Sol e os planetas com seus satélites fazem sua órbita dentro desta faixa, que está simbolicamente dividida em espaços de 30° graus cada um e cada espaço recebe o nome de uma constelação que há milênios esteve posicionada ali. O último espaço deste caminho aparente percorrido pelo Sol é designado a Peixes. Esta faixa, justamente porque as constelações, em sua maioria, eram identificadas com desenhos de animais, recebeu o nome de Zodíaco.

Para esclarecer este tal Ponto Vernal é preciso imaginar uma esfera celeste ao redor da esfera terrestre (Planeta Terra). Esta esfera também é cortada ao meio por uma linha imaginária chamada Equador Celeste. Como a Eclíptica tem uma inclinação de 23° em relação à linha do Equador Celeste, as duas se cruzam em dois momentos dando início a Primavera e ao Outono. A intersecção que ocorre em março é denominada Ponto Vernal. O Sol ao passar pelo Ponto Vernal inicia o
novo ano astrológico.

É claro que este “caminho” é aparente, pois o Sol é uma estrela e as estrelas movem-se tão lentamente que parecem fixas. O que gira é a Terra onde vivemos, que é também um planeta do Sistema Solar. Mas do ponto de vista geocêntrico o Universo parece girar em torno da Terra e este ponto de vista nos serve como fins didáticos para entendermos melhor as relações entre a vida terrestre e este imenso Cosmo.


Senão vejamos. O que vem a ser o nosso dia? Enquanto o Sol está ali parado a Terra fica girando, como um pião e expondo suas faces a ele, formando os dias e as noites. No entanto dizemos: “o Sol se pôs” ou “o Sol se levantou”, porque parece que é ele que se move. Este movimento da Terra chama-se Rotação. O que vem a ser o nosso ano? o movimento que a Terra faz em torno do Sol. A cada 365 dias a Terra começa um novo giro e neste momento festejamos o Ano Novo e nos enchemos de esperança. Este movimento da Terra chama-se Translação. O que vem a ser as Estações? os períodos em que o Sol expõe seus raios à Terra por mais ou menos tempo, formando os “ dias mais longos” ou “mais curtos”. São os Sostícios de Verão e Inverno e os Equinócio de Primavera e Outono. Sostício é palavra derivada da expressão latina “sol stare”. Eqüi significa “iguais”.

Esta maior ou menor exposição dos raios do Sol sobre a Terra produzirá mais frio ou mais calor, mais ou menos luz e influenciará o clima, a vida vegetal, animal e humana. A qualidade do tempo modifica não só o nosso humor, como também o nosso modo de viver. O marketing de consumo faz propagandas com este assunto. Lembra da propaganda do Zafari?

O que são os calendários? Dividimos o nosso tempo e vivemos em função das horas, dias, meses e anos; dos ciclos manhã, tarde, noite, madrugada; dos períodos quentes, frios e temperados. Vivemos em consonância com o Universo que nos cerca. Somos parte integrante e integrada neste Macrocosmo. Vivemos por causa e em função dele. Somos parte deste imenso Todo e como ele, vivemos em ciclos de nascimento, crescimento, reprodução e morte. Até as estrelas nascem, perduram por determinado tempo e entram em declínio. A vida acontece nos entres e não termina, apenas se renova. O Zodíaco é a representação simbólica desta integração, assim como também os calendários e relógios inventados pelo homem com a finalidade de organizar a vida na Terra. Já quem inventou o Zodíaco é uma história muito, muito mais antiga.
Para medir o tempo e o espaço no planeta o Homem criou os Fusos Horários e dividiu a Terra, imaginariamente, com linhas denominadas Meridianos e Paralelos. É através dessa criação que podemos nos localizar no Tempo e no Espaço. O Mapa Astrológico é o retrato do céu visto do lugar e no momento do nascimento de seres ou coisas. Tudo que nasce na Terra integra-se ao Cosmo, é parte dele e adquire características peculiares consoantes com esta integração.